lunedì 4 ottobre 2010

Catarse

Estou tão só comigo que chega a ser quase orgásmico. Abro a boca para deixar sair o fumo. Descontrolo os movimentos e é um cavalo que galopa para fora de mim e se estende no caos das imagens e do som, estranho, bizarro, adjectivos, pronomes e nomes, nomes, NOMES, pessoas e gente que cheira demasiado a multidão e eu não quero estar na multidão apetece-me esta solidão egoísta de ser uma vírgula quase enrolada como um feto com medo de vir ao mundo e gritar que não quer nascer da falta de amor e se não grita então foge para onde não o possam ver, não suporta que o olhem com ouvidos que não conhecem palavras com significados para além de silêncio, vazio, eco, eco, eco, eco. Páro e não páro afinal. As minhas mãos não me obedecem só o resto do corpo morreu e a alma saiu para tomar café já que a insónia não se vai embora, mas a alma não volta, também não quer ficar aqui comigo e com a confusão e com todos os livros que não se abrem e os restos de lembranças que apodreceram naquele canto ali ao fundo, aquele bem escondido por trás do boneco que canta e abana a cabeça e que me faz companhia quando me sinto demasiado sozinha. Vai-te foder dirias tu. Já perdi toda a legitimidade em dizer que me sinto sozinha, perdia-a de tanto a ter gasto em lágrimas e sofrimentos ad eternum que o Pai sempre ignorou. Eu sabia que devia ter sido uma menina melhor! Eu sabia que devia ter ajudado os outros! Eu sabia que não devia ter mentido ao padre em confissão! Para o caralho! Eu sabia tudo isso e ainda assim fiz e aconteci e aconteci e perdi-me e encontrei-me e se olhar para trás lembro-me de tudo e tento esquecer outro tanto.
Eu prometo que me vou portar melhor!
Eu prometo! Prometo! Prometo!

domenica 19 settembre 2010

Just want to be left alone. Quiet for a while, just a little while or for a long long time.

venerdì 17 settembre 2010

To think

About pain. Ends and beginnings. Words, silence and all that still matters or not that much. Little things at the top of a mountain. The view from my window and the space that goes from this side to a friendly sholder. What makes sense and what is undoubtedly the beginning of an endless journey to loss.
About that moment when the feeling that something is lost, becomes the certain of never being there again, never living that taste of death again, that the again is never gonna happen again.

"(...)
And what is actual is actual only for one time
And only for one place (...)"
T.S. Elliot

domenica 12 settembre 2010

Funeral party

Somos tantos e ainda assim somos tantos mais. Cada um traz consigo uma imensidão de pessoas e histórias tristes, amores que perecem e que se tentam esquecer no amargo da bebida. Vem a música que não deixa. É só uma música mas lembra mãos, lágrimas, beijos, roupa perdida pelo chão e corações esquecidos numa rua onde não se quer voltar.
É de noite e todos nós amamos a ausência de luz, como num amor sufocante que não se compadece da solidão e do terror que é ficarmos só connosco. Desejamos a surdez porque sabemos que a resposta à pergunta é o eco ou o silêncio, que no espelho não aparece outra face sem ser a nossa, que a casa que antes era pequena agora tem espaço a mais e que o coração apesar de forte se partiu em tantos pedaços e não vimos para onde foram alguns deles.
E agora como faço para os colar de novo?? Encontraste o pedaço que falta ao meu coração? Estará perdido irremediavelmente em algum canto de chão ou foi contigo para sempre?
São estas as perguntas escondidas no meio das roupas, da música, dos olhos contornados de negro.
Na pista dançam os corações descompassados, parece que se reanimam de vez em quando.
Tum tum tum
Tum tum tum
Semicerro os olhos e por entre o fumo vejo uma ou outra ficha ser desligada.

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giovedì 26 agosto 2010

The cross



P.S. You don't have to carry it all by yourself.

giovedì 12 agosto 2010

Novembro 2004

Como se vivesses agora
O último dia, todo hoje,
Levas a tua mentira e torpeza
Até às últimas consequências.

Hoje o dia, todo hoje,
É o dia de decidir.

Tudo o que tocares
Daqui para sempre
Será puro ou impuro.

Fernando Ribeiro, "O último momento do Sempre", As Feridas Essenciais

mercoledì 11 agosto 2010