giovedì 25 ottobre 2007

"I can resist anything but temptation"

«(...)Eu sou as sete pragas sobre o Nilo e a alma dos Bórgias a penar!...»
José de Almada Negreiros, in a Cena do Ódio



Comovo-me perante a paixão que não pedi. Assusto-me com as rosas que secam de obsessão e enceto, (in)conscientemente, uma caça em que o caçador deita o pescoço numa armadilha sobejamente conhecida. Vacilo entre o querer ser mártir e o querer martirizar e agora sei qual é o momento do qual nenhum ser humano pode escapar, aquele em que se vê frente a frente com o seu verdadeiro eu. Acredito que alguns não aguentem e fujam aos gritos, eu fico! Mais do que tudo sempre quis saber quem sou.
Sei-me entre o bem e o mal, sem conseguir optar. Não consigo erguer um único dedo que mostre o leve indício de que me quero pronunciar, tenho a perfeita consciência que não quero ouvir a minha voz.
Não quero estar frente à tentação, conheço-me. Sei que não resistirei pelo simples prazer de lhe sentir o sabor e essa sensação estará comigo por toda a eternidade.
E a eternidade é mais tempo do que o que eu conseguirei suportar.








domenica 14 ottobre 2007

Escuta. Escuto.
O silêncio envolto nos segundos que antecedem o nascer do dia, quando o céu se corta na troca que fizeste aos ponteiros do relógio.
Escuta. Escuto.
Os murmúrios derretem-se na boca, mergulham em queda livre dentro de ti para te furarem as entranhas, insaciáveis do teu tremer.
Ouve-me. Não consigo.
Leio-te.

lunedì 24 settembre 2007

«Sobre uma bala dirijo-me ao meu deus, alguém criado pela minha própria ilusão. Gostaria de lhe dizer que estou no inferno e que grito todos os dias, talvez porque viva apenas com a esperança de alguém me olhar.
Não durmo, não consigo tirar tempo ao que me resta para conhecer os meus pensamentos, certezas não tenho. Apenas sei que a morte vai surgir de repente e, a sorrir, oferecer-me a paz.
Desejaria rezar para sobreviver, mas sei que não basta fechar os olhos para fugir à própria tragédia. Afinal estou morto de mais para poder morrer, acreditei ter força suficiente para não me asfixiar, apenas pude suspirar quando quis soltar um grito. Morri no instante em que pensei ter começado a viver, porque não era possível continuar vazio por dentro. Desconhecia (talvez) ter nascido para não viver, cortei-me e a felicidade foi a primeira coisa a sair de dentro de mim. (...)
O tempo passa depressa, o dia esvai-se dentro de mim, os primeiros traços de escuridão de há uns meses ocupam cada vez mais espaço. Na mais profunda solidão espero ser livre, desesperado e abandonado choro, não tenho forças para lutar por muito mais tempo.(...)»

Excerto das cartas de Miguel (in As lições do Abismo de Daniel Sampaio)


Caminhar por estradas escusas, sem temer as trevas. A maior escuridão encontra-se dentro de nós. Open your eyes and see.

Never forget!

P.S. «Il faut prendre les leçons d'abîme», Júlio Verne

sabato 8 settembre 2007

Away, never far enough

Esta cidade sufoca-me. É uma caixa de vidro cujas paredes avançam lentamente sobre mim e o vidro fala-me, toca-me, enlaça-se em torno do meu corpo e rouba-me os movimentos, tolhe-me a funcionalidade do pensar, acelera-me a respiração num aviso de que será a última vez. As pessoas desta cidade estrangulam-me. Abatem-me as crenças, laminam-me os sorrisos e extraiem-me as lágrimas que bebem por largas e aúreas taças com que vão brindando numa orgia de sussurros.
Esta cidade define-me e definha-me, abraça-me e pune-me, lê-me como se eu fosse personagem de um livro que passa de mão em mão. Aqui a distância não o é, encurta-se a cada música que ouço, a cada palavra que apago no papel para em seguida a escrever sob a minha pele, a cada página em branco que viro com as mãos manietadas pela memória.



lunedì 27 agosto 2007

Inocência

Posso afirmar com toda a certeza que já nada me prende aqui. É nestas alturas, aquando da percepção de um mundo que convida a tudo menos a uma existência saboreada sem laivos a fel, que ganho a imensa vontade de me misturar com a tinta que cobre as paredes da casa que um dia sonhei. Lembro-me dos lápis alinhados desordeiramente ao lado da folha de papel A4 ligeiramente amarrotada. Confesso que nunca tive muito jeito para desenhar, aborrecia-me porque à partida seria uma jogada perdida, nada se parecia com o que era suposto parecer, as mãos ficavam demasiado sujas e o papel acabava, inevitavelmente, no lixo. Mas lembro-me que, naquele dia, segurei o melhor que pude a folha com a minha mão esquerda enquanto que na direita crescia a indecisão da escolha das côres para a minha casa. Agarrei o lápis com muita força e desenhei. Desenhei o melhor que pude a minha casa, para que fosse a mais bela, para que a folha não fosse morrer no caixote do lixo, para que este primeiro projecto vingasse, porque seria o meu ninho e a minha fortaleza. Concentrei toda a minha atenção nuns míseros centrímetros de papel amarrotado, acabei e sorri. Sorri de contentamento porque a minha casa era tal e qual como eu a havia sonhado, foi o desenho mais perfeito que alguma vez surgiu das minhas mãos e o meu desenho era a lua.

martedì 7 agosto 2007

H.R. Gigger


Não desejando a particularidade de ouvir para além do que se deseja, abraçar o espaço preenchido de imensos nadas e mergulhar bem dentro do que se é. A visão nem sempre anda de mãos dadas com a crença e o sentir é apenas isso... um desejo na ponta do indicador. O que vês para além de um corpo exposto?
Eu vejo a benção do silêncio.

lunedì 23 luglio 2007

Endless sleep

Odeio-te! Odeio-te até ao final dos tempos, até que a terra seja a imensidão do deserto. Porque foste a mais bela das ilusões e a mais negra realidade.
A ti, a_mor_te. Dentro de mim.



I know no shame.

The empire of my desire
Gathers you into my fire
I hope you fall. Hope you call,
My filthy name. It makes you crawl
on your knees, with all your pleas
Lay down there, look up at me.

Are you alive my dear, and breathing?
Are you diseased my dear, and bleeding?
I'll lift you high above my dear,
I'll have you dreaming.
`Tis time to say farewell, to your pleading.

Poor devil as thou art. A ruin at my feet.
Go drop your little life, and welcome up my sleep.
So briefly at my side. So simple in defeat.

No more lies utter from you.
From mine eyes I must take you.
No longer wise. Nothing is new.
Tears for my trembling faith.
You shall not die unsung.

Goodbye my dear, you wicked thing.
I have no tears, beautiful thing.
No silver pail to catch them in.
So ends this tale you did not win.

"The Scarlet Garden" - My Dying Bride